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30/03/2017

Fascia artigo completo

A Fáscia ou compartimento fascial é o nome dado ao conjunto de tecidos fibrosos que penetra e envolve músculos, ossos, nervos, vasos, cavidades, vísceras e órgãos, é considerada a estrutura do corpo, não só proporcionando um formato interno como externo ao corpo, mas também é uma armação de outros sistemas, é um tecido inervado, contém vasos, responde ao stress, transmite energia e têm diversas funções.

Segundo Thomas Myers, autor do livro Trilhos Anatômicos o nosso sistema fascial é único e inicia-se com cerca de 2 semanas do nosso desenvolvimento como um gel fibrosa que rodeia e penetra todas as células no embrião em desenvolvimento, não há nenhuma descontinuidade nas camadas de fascia, é melhor pensar em estruturas não como separados, mas simplesmente como códigos postais para centros contráteis dentro da rede fascial unitária e responsiva.

Existem diversas camadas de fascia no nosso corpo, a superficial, profunda, cranial e visceral. Ao redor do osso ela se chama periósteo, ao redor dos tendões paratendão, em torno de vasos e nervos ela forma a bainha vásculo-nervosa, ao redor de músculos, epimisio, perimísio e endomisio a fascia profunda, no sistema nervoso central e espaço craniano a pia-máter, dura-mater e aracnoide, espaço visceral a fascia endotorácia, pleura, peritônio e pericárdio, formando camadas que definem nossos órgãos e tecidos.

Suas funções são diversas: dá forma ao corpo e suas partes, além de as manter no lugar, proporcionando limites firmes, transmitindo e aumentando a força muscular, isso mesmo, se o músculo não tivesse fascia sua força seria significativamente reduzida, ela orienta e molda, um osso danificado sem periósteo não se consolida, a fascia canaliza líquidos corporais, suporta os capilares e vasos do sistema linfático e nervoso, ela contém células do tecido conjuntivo que se reproduzem para reparar e formar tecido cicatricial.

Stecco diz que a fascia é definida como uma estrutura tridimensional de tecido conjuntivo, que não apresenta qualquer solução de continuidade.

Atualmente cientistas e praticantes da medicina e terapia alternativa estudam muito a respeito deste tecido conjuntivo que envolve todo corpo e do ponto de vista médico muitas vezes é negligenciado, como por exemplo o Alemão Robert Schleip da Universidade de Ulm(Alemanha), que diz que “o tecido desempenha um papel muito maior no funcionamento humano do que aprendemos na medicina ortopédica’’, Schleip acredita que a fascia pode contrair independentemente da atividade muscular e sempre o fará em resposta ao stress.

A fascia tem embutido no seu tecido canais linfáticos com papel de transportar produtos residuais, além de transmitir força para músculos, sua estrutura e hidratação pode mudar e desorganizar-se reagindo ao stress por exemplo perdendo sua elasticidade e aumentando sua tensão, e tudo que está por trás desta zona tensa deixa de receber aporte nutricional e desenvolve-se um gel como uma massa entre as camadas envoltas pela fascia, o aumento da viscosidade do hialuronano aumenta a concentração de ácido hialurônico(HÁ) e diminui o PH. Isto é importante pois as distintas camadas de tecido conjuntivo precisam deslizar entre si e é necessário que também haja uma separação entre ambas camadas mantidas pela fascia.

Uma das pioneiras no estudo da fascia Ida Rolf propôs a teoria de que a energização manual da fáscia pode transformar a substância fundamental, diminuindo esta rigidez, melhorando seu direcionamento sua distribuição e elasticidade das fibras de colágeno.

Outro estudioso no assunto o Fisioterapeuta italiano Luigi Stecco diz que os efeitos da Manipulação fascial através de uma pressão com fricção aumentando a temperatura estressa este HA tornando-o despolimerizado gerando polímeros de menor massa e desfazendo assim seu estado viscoso refazendo seu estado normal.

Existem ainda divergências na literatura quanto a nomenclatura correta a ser usada, dificultando inclusive os estudos na área, de certa maneira, o uso inconsistente de termos anatômicos também torna difícil a comparação de resultados entre pesquisas, bem como o ato de tirar conclusões generalizadas. Este é um problema sério que vai certamente brecar o progresso na área, se algo não for feito em direção a uma padronização e mesmo depois que esse problema for resolvido, a pesquisa no campo ainda tem um longo caminho a percorrer. Demonstrar os benefícios terapêuticos da manipulação fascial não é algo que pode ser realizado por meio de apenas linguagem e pensamento, como tem sido feito até agora. É preciso fazer isso através da matemática, de estatísticas, da observação e da validação por observação repetida. O jeito é esperar para ver se os cientistas, com a ajuda dos terapeutas alternativos, serão capazes de dominar esse desafio

Existe inclusive uma conferência anual acerca do tema no mundo fundada por  Thomas Findley doutor em medicina física e reabilitação além de praticante do método Rolfing, o congresso de pesquisa Fascial internacional (FRC) foi realizado em Boston, Amsterdan e Vnacouver e construiu uma reputação de trazer a ciência fascia de ponta para a pesquisa médica e comunidades clínicas.

Estamos ainda “engatinhando” no que se diz respeito a fascia, muitos estudos ainda são necessários para entendermos realmente o assunto, o que sei é que uma estrutura tão complexa não pode ser negligenciada como foi por tanto tempo, não fazendo parte inclusive ainda da grade curricular anatômica e fisiológica dos cursos de saúde, é impossível tratar dor sem relacionar com a fascia.

Fonte:  Dr. Leonardo Emery Costa | Fisioterapeuta ( Crefito1 216478F )

REFERÊNCIAS:

http://www.fascialmanipulation.com/pt/about-fascial-manipulation.aspx?lang=pt

https://rolfingharmoniacorporalbrasil.wordpress.com/tag/o-que-e-rolfing/

http://www.gilhedley.com/setinfo.php

http://www.anatomytrains.com/fascia/

http://hypescience.com/misteriosa-parte-do-corpo-fascia/

http://www.fasciacongress.org/2015/program/speakers/